Se procuras simplicidade e bons resultados, um ETF do S&P 500 é provavelmente tudo o que precisas.
Como escrevi recentemente, os ETFs são um tipo de investimento muito apetecível uma vez que oferecem uma combinação única entre diversificação, simplicidade e baixo custo.
Para satisfazer a procura crescente por parte dos investidores, existem agora mais de 7.000 ETFs em negociação que oferecem soluções para todos os gostos. Podemos escolher entre os mais variados índices bolsistas, sectores ou indústrias, obrigações ou matérias-primas, a imaginação é o limite.
Com uma oferta tão variada, qualquer um de nós pode ficar confuso e sem saber em que ETF investir. Na verdade, a resposta é muito simples – o S&P 500 é não só (provavelmente) a melhor escolha como também o único ETF em que precisas investir.
Escolher o S&P 500
Investir não tem de ser complicado e um ETF do S&P 500 pode muito bem ser a escolha certa para os investidores de longo prazo. E se o que procuras é simplicidade, porque não construir um portfolio de investimento de apenas um ETF?
Esta é a tese defendida e comprovada por John C. Bogle no seu livro O Pequeno Livro do Investimento (The Little Book of Common Sense Investing, no original em inglês), cuja leitura eu recomendo.
John C. Bogle foi o fundador da Vanguard e principal responsável pela criação dos fundos de índice de baixo custo tal como o S&P 500.
O S&P 500 é uma excelente escolha de investimento. Deixa-me dar-te quatro razões para justificar isso mesmo: retorno histórico, diversificação, simplicidade e custo mínimo.
1. Retorno histórico
Desde a sua criação em 1957 o S&P 500 tem mantido uma das performances mais consistentes. Se observarmos os últimos 10 anos, o seu retorno anualizado foi de 11,23%.

Que outro índice obteve melhores resultados com um histórico tão longo? Talvez no curto prazo seja possível superar o S&P 500, mas nenhum outro investimento de longo prazo conseguiu (ainda) sequer igualar o seu desempenho.
O S&P 500 é reconhecido e utilizado como uma representação do mercado de acções global. E a longo prazo simplesmente não é possível bater o mercado.
2. Diversificação
Esta é talvez a principal razão pela qual a maioria dos investidores opta por um portfolio complexo – diversificação. Afinal todos sabemos que não devemos colocar todos os ovos na mesma cesta e diversificar nunca é demais, certo? Nem por isso.
É verdade que devemos diversificar os nossos investimentos para não ter demasiada exposição ao risco específico de um qualquer activo. No entanto existe um ponto óptimo de diversificação.
Demasiada diversificação leva a uma perda de retorno sem qualquer contrapartida de redução de risco.
Investir no S&P 500 significa investir nas 500 maiores empresas, líderes nos mais variados sectores e indústrias da maior economia mundial (EUA). Um ETF que segue este índice oferece um potencial enorme de diversificação.
Alguns investidores consideram que investir apenas no S&P 500 representa uma exposição em demasia à economia americana. No entanto, as empresas que compõem o S&P 500 são maioritariamente multinacionais com actividade nos quatro cantos do mundo. E cerca de 30% das suas receitas têm origem fora dos EUA.
3. Simplicidade
Com tanta oferta disponível nas corretoras a apenas um clique de distância, é muito simples tornar qualquer portfolio demasiado complexo. Para quê simplificar se complicar é tão simples, certo?
Até os chamados portfolios preguiçosos, que na teoria requerem pouco esforço, facilmente se tornam uma dor de cabeça.
Dois ETFs, três ETFs, cinco ETFs, acções globais, mercados emergentes, obrigações, 50%-50%, 25%-25%-25%-25%, 60%-30%-10%… E depois ainda é preciso redistribuir a alocação do portfolio para garantir distribuição desejada.
Investir em um único ETF é claramente a estratégia mais simples e que requer o menor esforço de manutenção.
4. Custo mínimo
Ainda que muitos ETFs estejam disponíveis com custos de investimento e manutenção reduzidos, este não deixa de ser um factor a considerar.
Os custos de transacção e custódia variam entre corretoras mas, regra geral, multiplicam-se pelo número de ETFs detidos no portfolio. Quanto maior o número de ETFs e de operações, maiores os custos de investir. Ter apenas um ETF garante um custo mínimo do investimento.
Em paralelo, é importante considerar o rácio total de gastos (TER ou total expense ratio) – esta é a percentagem de comissões a ser descontada anualmente do teu investimento. O TER para um ETF do S&P 500 é dos mais baixos, normalmente entre os 0,03% e os 0,09%.
Quanto menores forem os custos do teu portfolio, maiores são os ganhos líquidos que podes manter para ti.
Em resumo
Na altura de investir em ETFs, o S&P 500 é não só (provavelmente) a melhor escolha como também o único ETF em que precisas ter no teu portfolio para obter os melhores resultados a longo prazo.
Um retorno histórico consistente e um nível de diversificação óptimo fazem do S&P 500 a escolha óbvia. A simplicidade e custo mínimo de ter um e apenas um ETF em carteira fazem com que não precises de mais nenhum.