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Quando a bolsa de valores cai

Até onde pode desvalorizar o S&P 500 e quanto tempo leva para recuperar totalmente.

A sabedoria popular diz-nos que tudo o que sobe também desce. No caso do S&P 500 o inverso também é verdade, conseguindo até hoje recuperar de todas as crises e continuar a bater novos máximos históricos.

Nunca é fácil olhar para a nossa carteira de investimentos e ver o seu valor a cair significativamente dia após dia. É isso que acontece durante um crash na bolsa de valores. Nestes momentos é ainda mais importante manter uma perspectiva de longo prazo.

Nem todas as empresas sobrevivem a um crash e as que sobrevivem podem nunca mais voltar a recuperar totalmente. Mas essa é a beleza de investir num índice como o S&P 500, aconteça o que acontecer este será sempre constituído pelas maiores empresas cotadas em bolsa nos EUA.

Neste artigo vamos abordar os maiores crashes da história do S&P 500, quanto desvalorizaram e quanto tempo demoraram a recuperar totalmente. Talvez ainda mais importante é olhar para trás e melhor compreender o que podemos esperar dos crashes que ainda estão por vir.

Os maiores crashes do S&P 500

O S&P 500 já viveu vários ciclos desde a sua criação como índice em 1957. Isso incluí algumas das maiores quedas de que há registo na história da bolsa de valores a nível mundial. Estes foram alguns dos maiores crashes da história do S&P500:

1973

Os EUA enfrentavam um período de elevada inflação e o colapso do acordo de Bretton Woods, pondo fim ao padrão-ouro como moeda global e dando início a uma forte desvalorização do dólar americano. O embargo petrolífero de 1973 foi a peça que faltava para iniciar o crash.

O S&P 500 desvalorizou uns expressivos 48% e levou uns longos 46 meses a recuperar os níveis anteriormente registados.

1987

A Segunda-feira Negra, a 19 de Outubro de 1987, registou a maior queda da bolsa num único dia – o S&P 500 perdeu 20% em menos de 24 horas. A sua origem deveu-se à introdução da negociação automatizada em combinação com tensões no Médio Oriente e alguma sobrevalorização dos mercados.

Uma vez que os sistemas informáticos tendiam a gerar mais ordens de compra quando os preços subiam e mais ordens de venda quando os preços desciam, isso foi suficiente para precipitar o crash. Felizmente o S&P 500 caiu apenas 29% desta vez e recuperou totalmente em menos de 2 anos.

2000

Este ano marcou o ponto alto da especulação – para as empresas tecnológicas o céu era o limite. Qualquer negócio relacionado com a internet era cotado a preços astronómicos, mesmo que com poucas vendas e apresentando prejuízo.

A bolha tecnológica acabou por rebentar e levar todo o mercado com ela. O S&P 500 desvalorizou 49% e levaria mais de 7 anos para recuperar completamente do tombo.

2008

A crise financeira de 2008 teve origem na falência do crédito hipotecário subprime. Foi o culminar de um período de excessiva criatividade das instituições financeiras e de um endividamento excessivo com poucas garantias.

Vários bancos americanos faliram ou tiveram de ser salvos pelo Governo, com um custo elevado para os contribuintes e para a economia global. Desta vez o S&P 500 desvalorizou 57% e só recuperou totalmente passados mais de 5 anos.

2020

No início de 2020 a pandemia do COVID-19 espalhou-se pelo mundo, mudando drasticamente a vida de toda a população e precipitando mais um crash na bolsa de valores. No entanto, devido a uma forte intervenção governamental e injecção de dinheiro novo na economia, a recuperação foi excepcionalmente rápida.

Apesar de reconquistar o valor máximo anterior em apenas 6 meses, o S&P 500 não deixou de desvalorizar uns significativos 34%.

2022

O ano começou com sinais preocupantes de uma inflação crescente que se intensificou com a invasão russa da Ucrânia. Como resposta os bancos centrais optaram por subir as taxas de juro de referência e, dessa forma também, reduzir a liquidez dos mercados.

O S&P 500 caiu ao longo de 10 meses durante os quais perdeu 25% do seu valor. E só voltaria a recuperar totalmente no final do ano seguinte.

Quanto tempo dura um crash

A história não se repete, mas muitas rezes rima. Isso significa que podemos aprender muito se estivermos dispostos a olhar para trás. A lição principal a tirar é que todos os crashes têm um fim, a bolsa mantém a sua trajectória ascendente no longo prazo e novos máximos históricos continuam a ser batidos.

Para uma análise mais rica, devemos analisar todos os registos em que o S&P 500 caiu mais de 20% e quanto tempo levou a recuperar os valores anteriores.

AnoDesvalorizaçãoDuração (meses)
1957-21%10
1961-28%11
1966-22%6
1968-36%20
1973-48%46
1980-27%3
1987-34%17
2000-49%48
2008-57%37
2020-34%6
*2022-25%24
Média-35%21
Fonte: A Wealth of Common Sense (*2022 adicionado por mim).

Como podemos ver na tabela acima, já assistimos a 11 crashes desde 1957. Feitas as contas, verifica-se uma desvalorização média de 35% e são necessários em média 21 meses para conseguir uma recuperação completa.

Nos extremos em termos de desvalorização temos os crashes de 1957 (-21%) e 2008 (-57%). Já em termos de recuperação, o crash de 2000 foi o mais longo durando um total de 48 meses e o cash de 1980 foi o mais curto durando apenas 3 meses.

Conclusão

Os ciclos de alta e de baixa (crash) fazem parte da natureza da bolsa de valores. Não vale a pena tentar lutar contra isso. Podemos sim olhar para os dados históricos e dessa forma estarmos mais bem preparados para o que aí vem.

Ninguém consegue prever o futuro, mas o passado não deixa de ser uma boa referência. Os mercados podem tardar mas não falham a recuperar. É importante para manter o foco no longo prazo, a confiança e, mais importante que tudo continuar a investir.

É precisamente nestes momentos, quando ”há sangue nas ruas”, que se fazem os melhores negócios. Investe de forma inteligente e desfruta da viagem!

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